3 de abril de 2020

Andrea Dietrich

E sem querer começamos a praticar um MVP (Minimum Viable Product ou Mínimo Produto Viável) do nosso movimento de Transformação Digital. Quem nunca pensou nisso, agora entendeu o que significa. Quem estava se preparando, agora tem que esquecer os planejamentos e atuar com o que tem na mão. Quem já estava preparado, está “surfando a onda” (se é que alguém está se dando bem nisso tudo).

Estamos entendendo na prática o que significa atuar num mundo complexo, ambíguo, incerto e volátil em tempos de Coronavírus. Que pode ser visto como um problema ou como uma grande oportunidade. Ao invés de pausar as frentes de trabalho porque não reiventar a forma de fazê-las. Aquela reunião presencial pode ser feita tranquilamente pelas ferramentas digitais como Google Hangouts ou Zoom. Os treinamentos antes fechados numa sala para 15 ou 20 pessoas, podem ser feitos de forma remota, gravados e distribuídos para todos os funcionários (pronto, você começou a ter sua biblioteca de cursos online).

Até os eventos como palestras e trocas de conteúdo com experts de mercado, podem ganhar até maior adesão em formato remoto. As agendas eram impossíveis de conciliar com as mil atividades, reuniões e deslocamentos físicos que nos travam no dia a dia. De repente temos a agenda mais liberada, a oportunidade de usar nosso tempo de forma mais produtiva. Estamos aprendendo a trabalhar de uma forma diferente e talvez até mais produtiva, se seguirmos as boas práticas de trabalho remoto. Num dos cursos que faço normalmente presencialmente, de 15 alunos passamos para 25 alunos. Estamos com mais pessoas na sala de aula, agora virtual.

Que tal praticar meetups online entre os colaboradores para troca de conhecimento interno? Lançar seu podcast e trazer os executivos para falar sobre os temas do momento ou projetos estratégicos. Ou disseminar para seus colaboradores os diversos cursos gratuitos que estão sendo liberados de forma solidaria como a @CasadoSaber que liberou seus cursos on demand de forma gratuita por 30 dias. Agora pode ser uma ótima oportunidade de colocar nosso conhecimento em dia.

Os workshops presenciais foram quebrados em novos formatos para não perder a tração do projeto usando ferramentas de design thinking digital como o https://mural.co/ e atividades remotas em grupos menores.

Vejo agora todas as empresas tendo que organizar e orientar suas equipes num modelo de trabalho que as vezes nunca foi experimentado antes. Em muitos casos nem equipamentos como notebooks o time tem para levar pra casa e produzir. Então sai o time de TI correndo para liberar VPN e até o próprio hardware para as pessoas levarem pra trabalhar de casa. Em poucos dias ou horas mudamos as normas corporativas para nos adaptar a essa nova realidade.

Os times de RH agora correm para estruturar um material orientativo para direcionar suas equipes sobre: quais ferramentas digitais a empresa adotará como ferramentas de comunicação oficiais, compra de licenças em softwares de video-conferência, direcionar regras para uma reunião online produtiva (ex: compartilhar video, horários de agendamentos de reunião, questões de instabilidade de rede, focar no conteúdo que está sendo apresentado) e gerar dicas de apoio para a nova rotina (ex: montar agenda, separar uma mesa de trabalho, testar os equipamentos antes da reunião e etc). E para os times de loja, que ficam mais expostos no atendimento aos clientes, o dilema de revisão de escala de trabalho, liberação dos times, orientações de higiene e etc.

Falando em impactos na operação, de uma hora pra outra a venda online ganhou uma representatividade absurda nos negócios. Hora de impulsionar novos formatos de venda. E mesmo quem não tem uma loja online, que tal exercitar o MVP analógico recebendo pedidos por whats app ou telefone? Organizar uma estrutura de pickup nas lojas para evitar maiores contatos entre as pessoas. Estamos em crise, usar a equipe de backoffice para apoiar nessas horas e atender cliente por telefone/ whats é força tarefa.

Transformação Digital é sobre tudo isso, sobre novas formas de trabalhar, sobre novas formas de servir os clientes como eles precisarem e por fim, sobre empatia. O mundo digital nos traz o desafio de viver de forma mais transparente e colaborativa. E nos tempos atuais é hora de colocar seu propósito em prática. Cuidar do cliente, prover uma experiência incrível, mudar a vida das pessoas é de fato exercitar a solidariedade e a compaixão. É deixar de pensar somente no lucro e avaliar o que nós podemos fazer para ajudar quem precisa. Diversas iniciativas já foram bem divulgadas por aqui no Linkedin mas vale lembrar: Burger King que vai reverter parte da venda para o SUS e ampliou a entrega pelos apps como iFood e Rappi, Ambev produzirá 500 mil unidades de álcool em gel para doar a hospitais públicos, farmácia em Curitiba doando alcool em gel ao invés de colocar preços abusivos, Pão de Açúcar abrindo horário especial para atender os idosos… Isso é pensar em rede, isso é viver em grupo.

Ninguém vai sair dessa fase como antes, nem as empresas e nem os consumidores. Quem tinha medo de comprar no mundo online, vai ter que entrar. Quem resistia a liberar home office para suas equipes, vai ter que liberar. Quem não acreditava em treinamento online, vai ter que começar a usar. Transformação Digital, aqui e agora, quer queira quer não.

Foto da publicação originalmente compartilhada pela página Meu Bairro é o Uberaba no Facebook
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