19 de agosto de 2020

Andrea Dietrich

As novas tecnologias nos trazem uma oportunidade de vivermos num mundo de abundância e de muitas novas possibilidades. O que antes era improvável, hoje virou uma realidade. Realmente estamos vivendo o plano “5 anos em 5 semanas”. A pandemia acelerou os planos, nos forçou a ter coragem para desafiar nossos medos, nos colocou a prova de novas experiências e nos abriu novos horizontes. Pronto, estamos mais digitais. E qual será o próximo passo?

O mundo conectado escancarou nossas vulnerabilidades. Muitas marcas não conseguiram transitar nesse contexto, outras estão saindo muito mais fortalecidas. Estão ganhando o jogo aquelas que estão conseguindo colocar em pratica o verdadeiro propósito de marca. As pessoas mais conscientes, mais sensíveis, estão exigindo cada vez mais um posicionamento das marcas sobre suas ações para contribuição na sociedade. E isso não vai ter mais como voltar.

Muito além das tecnologias, a transformação digital então será sobre como usar todos os novos ativos digitais para cumprir um papel maior para seu cliente, para a sociedade. Entra a força das marcas corajosas, que deixam um discurso essencialmente comercial e auto-centrado de lado e passam a pensar em suas ações com mais empatia com seu público oferecendo uma verdadeira plataforma de experiência relevante para sua jornada.

Se ainda não praticávamos o foco no cliente, os negócios foram forçados a realmente olhar a jornada do cliente e entender como podem fazer a diferença na vida deles. Muitos modelos estão sendo totalmente transformados, produzindo outros produtos, revendo portfolio de produtos, lançando serviços agregados. Mas mudar tudo assim tão rapidamente não é tarefa fácil. Na maioria das vezes a cultura organizacional é que trava qualquer inciativa inovadora nos amarrando em processos burocráticos e ineficientes.

Para conseguir promover as transformações que precisamos, o tradicional executivo do mundo corporativo vai precisar transformar seu modelo de pensar, começando de cima e cascateando para toda a equipe. Para nascer o novo devem deixar os velhos hábitos de apontar culpados, a hierarquia impositiva, as brigas territoriais e a complexidade que travam toda a companhia. O mundo digital tem pressa e essas barreiras vão precisar cair, quer queira quer não. Nasce uma cultura muito mais leve, startup, de processos ágeis, com foco em resultado e não em ego e aberta ao novo.

Sendo assim, as marcas fortes da nova economia nascem de dentro pra fora. Suas verdades internas, sua cultura e seus colaboradores viram a maior expressão de uma marca pro mercado. Essa transparência radical dos novos tempos exige mais humanização, com executivos mais sensíveis, criativos e humildes.

A verdadeira transformação digital está na transformação das pessoas, que encontram nas marcas seu caminho para deixar um impacto positivo na sociedade.

Artigo escrito para a revista Empresário Digital

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