2 de junho de 2016

Andrea Dietrich

E se mudar tudo?

June 2, 2016 – para Meio & Mensagem

Você ja fez um exercício de como será o seu negocio no futuro? Eh ate um pouco assustador quando paramos para pensar nisso tendo em vista as transformações advindas das novas tecnologias.

Ja estamos cansados de ouvir falar dos impactos que Uber e Airbnb estão fazendo nos seus segmentos de atuação, certo? Pois então. Tente fazer esse exercício sob a ótica desses novos serviços, que foram elaborados com base nos fundamentos da economia colaborativa, onde bens e serviços são divididos entre os usuários.

Como serão as escolas de línguas sendo que existem milhares e milhares de nativos em línguas diversas predispostos a rentabilizar seu conhecimento dividindo-o com outros que não o possuem? Como serão as lojas de roupa do futuro sendo que podemos alugar aquelas pecas que não precisamos mais? Como será o sistema de transporte sendo que posso compartilhar um assento do meu carro, ou o meu próprio carro? E o mercado de seguros quando nada mais será comprado e sim compartilhado? Como serão as fabricas de tênis ou brinquedos, se poderemos produzi-los dentro de casa com nossa impressora 3D? E por ai vai.

Ha quem garanta que esta eh a próxima grande revolução do mundo, transformando as bases do nosso modelo econômico. Vem ai um mundo muito diferente do que vivemos ate agora. O dinamismo e a eficiência produtiva do sistema, junto ao avanço expressivo da tecnologia, serão responsáveis pelo colapso do modelo do capitalismo atual.

Ja parou para pensar que o varejo mais valioso do mundo nao tem inventario? Estamos falando do Alibaba. O veiculo de mídia mais popular do mundo nao produz conteudo, o Facebook. E de novo, a maior companhia de taxis nao tem carros, o Uber.

Segundo levantamentos realizados o faturamento de plataformas de colaboração deverão alcançar US$ 6,5 bilhões no mundo até 2020. E segundo um estudo da Forbes, a indústria de impressoras 3D devera chegar a mais de U$20 bilhoes no mundo ate 2020, com taxa de crescimento no seu uso de 103% ano a ano. Números que definitivamente não podemos ignorar.

Um mundo onde a escassez do conhecimento, da produção, do sistema de poucos darão espaço a abundancia. A abundancia do conhecimento, graças ao avanço da internet , a abundancia da produção coletiva onde qualquer coisa poderá ser produzida por qualquer pessoa em algum lugar do mundo, da abundância de desenvolvimento permitindo que alguém no mundo esteja desenvolvendo um novo sistema revolucionário abrindo espaço para mais uma leva de colaboração.

Ou seja, uma economia onde o sistema eh muito mais ganha ganha e nao mais os que tem versus os que nao tem, os que sabem versus os que nao sabem. Onde as pessoas doam um pouco do seu tempo, do seu espaço, das suas coisas, do seu conhecimento, para ajudar outros e ainda serem remuneradas por isso. E com isso creio que vão surgindo novos sentimentos, uma vontade de fazer o bem pro proximo, compartilhando, doando e recebendo, e estabelecendo um grande bem estar na comunidade que vivemos.

E no Brasil, a atual conjuntura (ou desconjuntura) econômica e politica provocam ainda mais essa transformação. As pessoas estão repensando seus modelos, procurando serem mais produtivas e eficientes. Para tanto começam a buscar novas formas de fazer seus negócios, pensando em novas parcerias e se forcando a romper com pre conceitos estabelecidos para testar novos rumos. Pode ser um momento de grande oportunidade para avançarmos rapidamente por aqui.

Esse exercício que provoquei no inicio eh fundamental para tudo que você produz. Afinal muito mais do que uma mudança no negocio, eh um novo mindset, de como olhamos pro mundo daqui em diante. Um modelo de pensar que muda tudo. Uma nova forma de lidar com fornecedores, parceiros, colaboradores, e claro, consumidores. Como estar pronto e capacitado para essas transformações passa ser mais um grande desafio.

Como vimos, o que uma marca produz ja nao vai garantir mais sua competitividade a longo prazo. Qual vai ser o verdadeiro valor de uma marca? Acho que vale o exercício. Sao muitas perguntas num texto so.

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